sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Mundo perfeito de Hutson

    Parado segurando uma arma que apontava para a cabeça, dividido entre apertar ou não o gatilho, era assim que Hutson se via em uma manhã tranquila em sua fazenda.
Fazia muito tempo em que ele perdera o contato com as pessoas, vivia isolado porque deixou de acreditar em seus semelhantes.
    Sua casa era pequena e sobrevivia com o que plantava e criava, também cuidava de animais abandonados que sempre apareciam por lá, de uma certa forma sempre gostou mais da companhia dos bichos à companhia dos humanos, para ele esse era o mundo perfeito.
    Mas aquela manhã fora diferente de todas, Hutson estava cansado da monotonia de sua vida isolada. Pela primeira vez em muitos anos ele sentiu falta de alguém e desejou no fundo do âmago poder conversar com uma pessoa, mas as dificuldades de encontrar alguém em um lugar tão distante da correria em que vivia os outros era realmente o que deixava-o triste. Mas não fora a distancia que culminou a apontar uma arma para a própria cabeça e sim a loucura que vinha sorrateiramente tomando conta do pobre Hutson solitário.
   Suas ações eram cada vez mais estranhas, ele andara criando um mundo perfeito com pessoas irreais, e foi manipulado por uma dessas fantasias a pegar uma arma... e pegou, brincou com ela como se fosse um brinquedinho qualquer e no final apontou a arma para a cabeça e atirou.
   O mundo perfeito de Hutson não existia, mas ele tinha esforçado-se tanto para não depender de alguém que no final todos foram culpados.


-Bárbara Feitoza


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